Item 11 - Wladimir Lobato Paraense

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Código de referência

BR RJCOC 05-06-01-01-01-05-11

Título

Wladimir Lobato Paraense

Data(s)

  • 1998 (Produção)

nível de descrição

Item

Dimensão e suporte

Documentos sonoros: 8 fitas cassete e 8 CD's (6h11min; cópia digital)

Área de contextualização

Nome do produtor

História arquivística

Entrevista realizada por Anna Beatriz de Sá Almeida e Magali Romero Sá, na Fiocruz, entre 03 de junho e 01 de julho de 1998.

Procedência

Área de conteúdo e estrutura

Âmbito e conteúdo

Sumário
Fita 1 - Lado A
A descoberta de caramujos infectados com esquistossoma em um córrego no IOC e as medidas profiláticas adotadas; considerações acerca dos trabalhos pioneiros de Adolpho Lutz com moluscos no IOC e a introdução desta espécie no IOC; as aulas de histologia ministradas por Jaime Aben Athar na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará e seu perfil profissional; a experiência no Laboratório de Biologia da Santa Casa da Misericórdia; a aquisição da primeira coleção de lâminas; a viagem a Recife e a procura por emprego; o primeiro contato com a Faculdade de Medicina de Recife.

Fita 1 - Lado B
Os contatos com Aloísio Bezerra Coutinho e Jorge Lobo e o interesse despertado pela Coleção de Lâminas trazidas de Belém do Pará; o concurso para o internato no Hospital Oswaldo Cruz, em Pernambuco; a transferência para a Faculdade de Medicina de Recife; o ingresso no Hospital Oswaldo Cruz; a importância do trabalho realizado no hospital em sua formação profissional; o primeiro contato com Aggeu Magalhães e breve referência ao seu perfil e trajetória profissional; a aquisição de bolsa de estudo em anatomia patológica na USP, concedida por Assis Chateaubriand em 1938; a viagem para São Paulo; breve alusão ao encontro com Assis Chateaubriand, no Rio de Janeiro, e os métodos utilizados por ele para angariar recursos para a concessão de bolsas de estudo.

Fita 2 - Lado A
O trabalho realizado na USP e a orientação de Jorge Queiroz Teles Tibiriça; breve referência ao estudo autodidata sobre o sistema nervoso humano; considerações acerca das precárias condições de vida dos imigrantes nordestinos em São Paulo, tendo como consequência um alto índice de mortalidade; lembrança do transtorno ao diagnosticar casos de esquistossomose e doença de Chagas em autópsias realizadas em corpos de imigrantes e as discussões travadas com Cunha Mota sobre estes diagnósticos; a decisão de escrever uma tese sobre esquistossomose; a continuidade da pesquisa na área de patologia; breve referência aos convites de Evandro Chagas para trabalhar no estado do Pará e no estado de Pernambuco; a opção pelo IOC; o ingresso no laboratório de Evandro Chagas; as pesquisas realizadas sobre leishmaniose visceral; as iniciativas de Evandro Chagas para a criação do Instituto de Patologia Experimental do Norte (IPEN); relato da coleta de material para autópsias no estado do Pará; a decepção dos que voltaram para Recife após o estágio na USP e a decisão de permanecer no Rio de Janeiro.

Fita 2 - Lado B
O convite de Evandro Chagas para participar de um curso de malária no estado do Pará, em 1940; lembranças da morte de Evandro Chagas; a alternativa encontrada por Carlos Chagas Filho para financiar sua permanência no IOC; a necessidade de prestar esclarecimentos a Assis Chateaubriand da sua recusa em retornar a Recife; menção às primeiras publicações sobre leishmaniose visceral; o curso ministrado no Estado do Pará e os primeiros estudos do ciclo da malária; as intenções de Evandro Chagas ao indicar o professor Antônio Emeriano de Souza Castro para a direção do IPEN; a primeira publicação sobre malária; considerações sobre a importância dos desenhistas no trabalho científico; menção ao pioneirismo de seu trabalho sobre o ciclo da malária; comparação entre as condições de trabalho no Brasil e na Alemanha; a sua decisão de reiniciar os estudos de leishmania; a importância do seu estudo sobre a dispersão da Leishmania enriettii em cobaia e o auxílio para a compreensão da leishmaniose humana; a ida para Belo Horizonte; o convite para trabalhar no SESP; breves comentários sobre a criação do SESP; considerações sobre a esquistossomose na região do Vale do Rio Doce.

Fita 3 - Lado A
O convite para trabalhar como pesquisador associado do SESP; as primeiras impressões sobre o trabalho e a resistência inicial em aceitar o convite; breves considerações acerca da participação no Conselho do CNPq; a resolução de aceitar o convite para trabalhar no SESP e a montagem do laboratório em Belo Horizonte, em 1954; o início das investigações sobre os focos de esquistossomose em Belo Horizonte; os problemas relacionados à nomenclatura e à classificação de moluscos; a metodologia utilizada na coleta de moluscos; o trabalho sobre os moluscos encontrados em Belo Horizonte; comparação entre as espécies encontradas em regiões do Estado de Minas Gerais; a necessidade de viajar para Pernambuco à procura de espécimes de moluscos; a decisão do CNPq de encerrar as pesquisas com moluscos; os embates e a solução encontrada para a continuidade da pesquisa; lembranças da emoção da descoberta de caramujos albinos; breves referências às pesquisas genéticas realizadas com os moluscos.

Fita 3 - Lado B
O interesse pela malacologia; o trabalho realizado no Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Belo Horizonte; considerações sobre a organização do SESP e suas prioridades durante a Segunda Grande Guerra Mundial; reflexões sobre a boa qualidade dos serviços oferecidos pelo SESP; a necessidade da realização de trabalhos voltados para a esquistossomose na década de 1950; referências ao convite para investigações voltadas à taxonomia de moluscos; reflexões acerca dos problemas relacionados à sistemática dos moluscos; o trabalho realizado no SESP.

Fita 4 - Lado A
A metodologia utilizada no trabalho com os moluscos; referência à trajetória profissional de Nilton Deslandes e sua aptidão para o trabalho científico; considerações sobre o grupo de trabalho no SESP; referência aos problemas enfrentados na classificação de moluscos; a conservação e catalogação das fontes de pesquisas realizadas com moluscos; os problemas enfrentados na publicação dos resultados destas pesquisas; considerações sobre as dificuldades do SESP no combate a determinadas espécies de moluscos no vale do São Francisco e sua contribuição para solucionar o problema.

Fita 4 - Lado B
O procedimento metodológico utilizado nas pesquisas com moluscos; a publicação em inglês do artigo referente à pesquisa em 1954; referência à decisão de se extinguir os moluscos em Belo Horizonte; as espécies de moluscos encontradas na região de Santa Luzia, Minas Gerais; as investigações genéticas realizadas com caramujos; considerações sobre o seu interesse pelas coleções; o encerramento da pesquisa pelo SESP; o convite para trabalhar no Serviço Nacional de Malária; a vinculação das pesquisas em esquistossomose ao Serviço Nacional de Malária.

Fita 5 - Lado A
Comentário sobre a passagem pelo DNERu a partir de 1959; menção à coleta e pesquisa de moluscos planorbídeos realizadas pelo SESP nas regiões Norte e Nordeste do Brasil e na América Latina nos anos 1950; as técnicas e experiências genéticas realizadas com moluscos; os desafios com as pesquisas de moluscos coletados no Brasil; a necessidade de coletar moluscos em diversos países da América Latina; o financiamento recebido do CNPq para coletar moluscos planorbídeos no Peru, Bolívia, México, Cuba e Venezuela; relato das viagens de coletas realizadas em países da América Latina, em 1956.

Fita 5 - Lado B
Relato das viagens de coleta realizadas na América Latina, em 1956.

Fita 6 - Lado A
A passagem por Cuba para coleta de moluscos; a importância do auxílio de professores locais na coleta do material; a diversidade de moluscos encontrados em Cuba; a necessidade de coletar urna espécie de molusco no lago de Valência, na Venezuela; relato de sua estadia na Venezuela.

Fita 6 - Lado B
Considerações sobre a atividade de coleta realizada na Venezuela; a coleta de um exemplar vivo de molusco planorbídeo; as divergências com pesquisadores sobre a espécie coletada; o convite da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para participar do comitê sobre moluscos e esquistossomose em Washington (EUA); as dificuldades quando da elaboração do guia; a nomeação e gestão na direção do INERu entre 1961 e 1963; o comitê sobre moluscos e esquistossomose em Washington.

Fita 7 - Lado A
Relato da reunião promovida pela OPAS, em Washington; considerações sobre a criação do Centro Nacional de Identificação de Planorbídeos no seu laboratório na década de 1960; as viagens realizadas pela América Latina para identificação de moluscos planorbídeos patrocinadas pela OPAS e Fundação Rockefeller; o estado atual da catalogação do material coletado nesta época; a visita de um pesquisador da Fundação Rockefeller e a oferta para auxilio às pesquisas com moluscos planorbídeos; menção às pesquisas que vem realizando atualmente com pesquisadores norte-americanos; o envio de materiais da coleção para estes pesquisadores; considerações sobre o estado atual da Coleção Malacológica; relato da viagem de coleta feita na cidade de Cochabamba, na Bolívia; a transferência do Centro Nacional de Identificação de Planorbídeos para a Universidade de Brasília (UnB), em 1968.

Fita 7 - Lado B
Considerações sobre a viagem para a Argentina, em 1972, a convite do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET) para auxiliar na elaboração de um livro sobre a fauna local; as coletas de moluscos realizadas na Argentina; considerações sobre o retomo à Fiocruz, em 1976, e a continuidade das pesquisas com moluscos planorbídeos; relato sobre a passagem pela UNB entre 1968 e 1976; o convite do presidente da Fiocruz, Vinícius da Fonseca, para que retornasse à instituição; considerações sobre o estado atual da Coleção Malacológica: o material catalogado e os cuidados e técnicas para conservação e dissecação do acervo.

Fita 8 - Lado A
Relato sobre as técnicas de conservação dos moluscos planorbídeos; a introdução da metodologia de dissecação de moluscos em Cuba, em 1956; as dificuldades na transferência para o Brasil do material coletado em Cuba; considerações sobre a passagem pela Vice-Presidência de Pesquisa da Fiocruz entre 1976 e 1978; a prática das revistas de carros na gestão de Vinícius da Fonseca; comentários sobre a importância das coleções científicas da Fiocruz; considerações sobre sua responsabilidade para com a Coleção Malacológica; o empréstimo de materiais da coleção para pesquisadores nacionais e estrangeiros.

Avaliação, selecção e eliminação

Ingressos adicionais

Sistema de arranjo

Transcrição e sumário

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Condições de acesso

Sem restrição

Condições de reprodução

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Instrumentos de pesquisa

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Nota

Resenha biográfica
Wladimir Lobato Paraense nasceu em 16 de novembro de 1914, na cidade de Igarapé-Mirim, no Pará. Após completar seus estudos secundários no Ginásio Paes de Carvalho, em 1931, ingressou na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará. De fundamental importância foram as aulas de histologia, ministradas pelo professor Jaime Aben Athar, de quem seria auxiliar no laboratório de Biologia da Santa Casa da Misericórdia do Pará. Além do aprendizado prático neste campo, obteve durante o estágio a sua primeira coleção de lâminas com material de biopsia, cedidas pelo professor como recompensa pelas atividades desenvolvidas. Sem grandes perspectivas na cidade natal, Wladimir Lobato Paraense decidiu partir para Pernambuco, onde completou os seus estudos na Faculdade de Medicina do Recife, em 1937. Graças às lâminas levadas em sua bagagem, foi apresentado ao professor Jorge Lobo que, imediatamente, se interessou pelo material, incitando o jovem pesquisador a prestar concurso para o Hospital Oswaldo Cruz, instituição ligada ao Departamento de Saúde Pública do Estado de Pernambuco. Antes mesmo de completar a faculdade, foi aprovado como interno em tal instituição, onde permaneceu até 1939. Em 1938, foi indicado por Aggeu Magalhães para uma bolsa de estudos na USP, concedida por Assis Chateaubriand, na área de anatomia patológica. Durante o estágio, optou por desenvolver uma tese sobre esquistossomose, o que o levou a procurar instituições onde pudesse dar continuidade às suas pesquisas. Após estabelecer contato com Evandro Chagas, transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1939, ingressando como pesquisador assistente no Serviço de Estudo de Grandes Endemias (SEGE), do Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Em 1941, foi contratado como biologista extranumerário do IOC, tornando-se responsável pelo serviço clínico do Hospital Evandro Chagas, permanecendo nesta função até 1945. Em 1940, a convite de Evandro Chagas, Wladimir Lobato Paraense passou a ministrar aulas de hematologia e de anatomia patológica no Curso de Malariologia da Universidade do Brasil (atual UFRJ) e do IOC, na cidade de Belém do Pará. Embora estivesse desenvolvendo pesquisas sobre a leishmaniose visceral americana, aceitou o desafio, atualizou-se no tema e, no decorrer dos anos de 1940 e princípios dos anos de 1950, publicou vários trabalhos nesta área. Em 1945, foi contratado como biologista do quadro permanente do IOC, por concurso e provas de títulos e defesa da tese "Sobre a evolução inicial dos plasmódios nos vertebrados". Em 1954, foi convidado para trabalhar como pesquisador associado do Serviço Especial de Saúde Pública (SESP), onde realizou estudos sobre moluscos planorbídeos do Brasil. Em 1956, após encerrar suas atividades no SESP, foi comissionado pelo CNPq para coletar moluscos planorbídeos em vários países latino-americanos, a fim de estudar problemas de sistemática desse grupo zoológico. Em 1959, a serviço do Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERu), realizou as mesmas atividades nas Guianas Inglesa, Francesa e Holandesa. Tais atividades renderam-lhe a condição de consultor temporário da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a fim de preparar os planos e a divisão de trabalho para a elaboração de um guia sobre planorbídeos americanos. Tornou-se mais tarde membro efetivo da OPAS e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no desenvolvimento de diretrizes para a identificação dos planorbídeos americanos. Entre 1961 e 1963, foi diretor do Instituto Nacional de Endemias Rurais (INERu) e, em 1968, foi contratado como professor titular pela UnB. Os trabalhos com vetores da esquistossomose levaram-no a longos anos de pesquisa, mesmo após sua saída do IOC, em 1972. Em 1973, foi comissionado pelo convênio de cooperação científica Brasil-Argentina para coletar moluscos planorbídeos em várias províncias da Argentina. As investigações nesta área resultaram em diversas publicações, apresentando e descrevendo espécimes de moluscos vetores da esquistossomose na América Latina e, principalmente, no Brasil. Em meados da década de 1970, foi convidado por Vinícius da Fonseca para ocupar o cargo de vice-presidente de Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), permanecendo até 1978. A partir de 1979, além de pesquisador titular da Fiocruz, assumiu a condição de co-pesquisador do acordo de cooperação entre a Fundação e a University of South Florida para pesquisar moluscos na região Nordeste do Brasil, subsidiado pelo Programa de Colaboração Institucional em Pesquisas sobre Doenças Infecciosas do National Institute of Health (EUA). Autor de diversos trabalhos realizados no campo de doenças infecciosas e parasitárias, entre elas, a febre amarela, a leishmaniose, a malária e, principalmente, a esquistossomose, Lobato Paraense é reconhecido pela comunidade científica nacional e internacional, foi agraciado com vários prêmios, dentre os quais, o Golfinho de Ouro, em 1982, e o Prêmio Oswaldo Cruz, em 1985. Faleceu no dia 11 de fevereiro de 2012, aos 97 anos.
(http://www.fiocruz.br/ioc/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=206&sid=77)

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