Fundo ON - Oracy Nogueira

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Código de referência

BR RJCOC ON

Título

Oracy Nogueira

Data(s)

  • 1875-1996 (Produção)

nível de descrição

Fundo

Dimensão e suporte

Documentos textuais: 3,38 m
Documentos iconográficos: 379 itens (367 fotografias, 11 fotogramas de negativos flexíveis e 1 diapositivo)

Área de contextualização

Nome do produtor

(1917-1996)

Biografia

Nasceu em 17 de novembro de 1917 em Cunha (SP). Aos 14 anos participou como voluntário da Revolução Constitucionalista de 1932. Um ano depois iniciou sua vida profissional como repórter e redator do Correio de Botucatu, e filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro, ao qual permaneceu vinculado até a década de 1960. De 1936 a 1937 realizou tratamento contra a tuberculose em São José dos Campos. Em 1940 ingressou na Escola Livre de Sociologia e Política (ELSP) de São Paulo. Na instituição tornou-se estudante-bolsista de Donald Pierson e foi aluno de Radcliffe-Brown, Herbert Baldus, Sérgio Milliet, Emílio Willems, entre outros. Em 1942 concluiu o bacharelado e três anos depois o mestrado na mesma instituição, cuja dissertação foi publicada em 1950 com o título “Vozes de Campos do Jordão: experiências sociais e psíquicas do tuberculoso pulmonar no estado de São Paulo”. Em 1945 obteve uma bolsa do Institute of International Education e seguiu para os Estados Unidos para doutoramento na Universidade de Chicago. Lá permaneceu até 1947 sob a orientação de Everett Hughes. Retornou ao Brasil para confecção da tese que não chegou a ser defendida: em 1952, em pleno macartismo, seu visto para retorno aos Estados Unidos foi negado. Na ELSP atuou no curso de graduação desde 1943 e, a partir de 1947, no de pós-graduação. Entre 1948 e 1958 integrou a direção da Revista Sociologia. Nesse período realizou extensa investigação sobre relações raciais, da qual resultaram "Atitude desfavorável de alguns anunciantes de São Paulo em relação aos empregados de cor" (1942), "Relações raciais no município de Itapetininga" (1955) e "Preconceito racial de marca e preconceito racial de origem: sugestão para a interpretação do material sobre relações raciais no Brasil" (1955). Em 1952 passou a lecionar na Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas (FCEA) da Universidade de São Paulo (USP), onde, em 1968, integrou o quadro de professores de sociologia. Em 1955 foi efetivado como técnico do Instituto de Administração da USP, do qual se tornou chefe do Setor de Pesquisas Sociais. De 1957 a 1961, a convite de Darcy Ribeiro, seu ex-aluno na ELSP, atuou como pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais no Rio de Janeiro. Em 1961 desligou-se formalmente da ELSP, retornando ao Instituto de Administração. Em 1962 publicou “Família e comunidade: um estudo sociológico de Itapetininga”. No ano de 1967 defendeu na Faculdade Municipal de Ciências Econômicas e Administrativas de Osasco a tese de livre docência, intitulada “Contribuição ao estudo das profissões de nível universitário no estado de São Paulo”. Transferiu-se em 1970 para o Departamento de Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, e oito anos depois, por meio de concurso para professor titular de sociologia, retornou à Faculdade de Economia e Administração, nova denominação da FCEA. Aposentou-se em 1983, mas permaneceu desenvolvendo estudos sobre racismo, como “Tanto preto quanto branco: estudos de relações raciais” (1985) e “Negro político, político negro: a vida do doutor Alfredo Casemiro da Rocha, parlamentar da República Velha” (1992). Morreu em 16 de fevereiro de 1996, em Cunha.

História arquivística

Em junho de 1995, Oracy Nogueira é entrevistado por Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti, professora do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS/UFRJ), que enviou a ele uma primeira versão do artigo “Oracy Nogueira e a antropologia no Brasil: o estudo do estigma e do preconceito racial” (1996). A pesquisa “Os estudos de comunidades e a antropologia no Brasil: o lugar de Oracy Nogueira” foi iniciada por Maria Laura em 1994. Com a morte de Oracy Nogueira em 1996 e o esforço de localizar dois textos inéditos do autor sobre Emílio Willems e Donald Pierson – elaborados para dois volumes por ele organizados para a Editora Ática, na coleção Grandes Cientistas Sociais – Maria Laura entrevista, em novembro de 1996, José Luiz Nogueira, filho de Oracy, na antiga casa do pai, desabitada e em processo de venda. No escritório foi encontrado, em duas caixas de papelão úmidas, o material desses volumes e uma longa correspondência trocada entre ele e Pierson. Em março de 1997 ocorreu a doação dos livros de ciências sociais e de todo acervo documental pela família Nogueira a Maria Laura. Entre abril de 1997 e junho de 1998 se realizou a higienização de todo o material – livros e documentos. Ainda em junho de 1997 realizou-se uma nova visita à casa de Oracy para retirada do acervo documental que lá ainda ficara. Em janeiro de 1998 foram concluídas as etapas de catalogação dos livros, que foram incorporados à Biblioteca Maria de Vasconcelos do IFCS, e de identificação do acervo documental para realização de um inventário preliminar. Em 1998 a Edusp reeditou o "Relatório das relações raciais em Itapetininga", resultante da participação de Oracy Nogueira no Projeto UNESCO de Relações Raciais. Com organização e apresentação de Maria Laura o livro intitulou-se “Preconceito de marca: as relações raciais em Itapetininga”. De agosto de 2000 a março de 2006 ocorreu o trabalho de complementação do inventário e a continuação da pesquisa. Em 2007, com o apoio recebido da Faperj, o inventário do fundo Oracy Nogueira foi finalmente constituído. Ao receber a custódia do arquivo, em 2013, a Casa de Oswaldo Cruz manteve a organização e o inventário elaborados pela equipe da UFRJ.

Procedência

Doação da família do titular para Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti em 1997. Em 2013 a custódia foi transferida para a Casa de Oswaldo Cruz.

Área de conteúdo e estrutura

Âmbito e conteúdo

Reúne cartas, diários de campo, programas de cursos, relatórios de pesquisa, conferências, apontamentos, artigos científicos, roteiros de pesquisa, recortes de jornais, fotografias e transcrições de depoimentos, entre outros documentos referentes à vida pessoal e à trajetória profissional do titular como estudante, professor e pesquisador da Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, doutorando na Universidade de Chicago, professor na Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas e na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e pesquisador em diferentes contextos.

Avaliação, selecção e eliminação

Ingressos adicionais

Sistema de arranjo

Série Material Pessoal
Série Correspondências
Série Coleção Grandes Cientistas Sociais - Editora Ática
Série Fotografias
Série Referência Institucional
Série Temas de Pesquisa
Série Textos
Série Memória do Fundo

Área de condições de acesso e uso

Condições de acesso

Sem restrição.

Condições de reprodução

Sem restrição.

Idioma do material

  • inglês
  • português

Forma de escrita do material

Notas ao idioma e script

Características físicas e requisitos técnicos

Instrumentos de pesquisa

Universidade Federal do Rio de Janeiro. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Fundo Oracy Nogueira: inventário. Rio de Janeiro, 2007.

Área de fontes relacionadas

Existência e localização de originais

Existência e localização de cópias

Unidades de descrição relacionadas

Fundo Luiz Fontenelle

Descrições relacionadas

Nota de publicação

CAVALCANTI, Maria Laura Viveiros de Castro. Estigma e relações raciais na obra pioneira de Oracy Nogueira. In: BOTELHO, André; Schwarcz, Lilia (Orgs.). Um enigma chamado Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 254-267.
______. A contemporaneidade da tradição da Escola Livre de Sociologia e Política: a obra de Oracy Nogueira. In: SIMÃO, Julio Assis et al. (Orgs.). A Escola Livre de Sociologia e Política: 1933-1953. Os Anos de Formação. São Paulo, Ed. Escuta/FAPESP, 2001. p. 59-67.
______. Preconceito de marca: etnografia e relações raciais. Tempo Social, Revista de Sociologia da USP, São Paulo, v. 11, n. 1, p. 97-110, 1999.
______. O aspecto humano de nossos dados: a relação Pierson-Nogueira, etnografia e o estudo das relações raciais. In: MAIO, Marcos Chor; VILLAS BÔAS, Gláucia K. (Orgs.). Ideais de modernidade e a sociologia no Brasil: ensaios sobre Luiz de Aguiar Costa Pinto. Porto Alegre: Editora UFRGS, 1999.
______. Fundo Oracy Nogueira: breve notícia de um capítulo das ciências sociais no Brasil (1940/1960). In: REUNIÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA, 26., 2008, Porto Seguro. Anais eletrônicos... Porto Seguro: RBA, 2008. p. 1-14. Disponível em: http://www.abant.org.br/conteudo/ANAIS/CD_Virtual_26_RBA/grupos_de_trabalho/trabalhos/GT%2015/maria%20laura%20viveiros%20de%20castro.pdf>. Acesso em: 10 jul. 2010.
NOGUEIRA, Oracy. Preconceito de marca: as relações raciais em Itapetininga. 2. ed. São Paulo, Edusp, 1998.
______ ; CAVALCANTI, Maria Laura Viveiros de Castro (Orgs.). Vozes de Campos do Jordão: experiências sociais e psíquicas do tuberculoso pulmonar no estado de São Paulo. 2. ed. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 2009.

Área de notas

Notação anterior

Pontos de acesso

Ponto de acesso - assunto

Ponto de acesso - local

Ponto de acesso - nome

Pontos de acesso de género

Área de controle da descrição

Identificador da instituição

Regras ou convenções utilizadas

Status da descrição

Final

nível de detalhamento

Integral

Datas de criação, revisão, eliminação

1997-2007 (organização)
2016 (revisão)

Idioma(s)

Escrita(s)

Fontes utilizadas na descrição

CAVALCANTI, Maria Laura Viveiros de Castro. Oracy Nogueira: esboço de uma trajetória intelectual. História, Ciências, Saúde - Manguinhos. Rio de Janeiro, v. 2, n. 2, p. 119-121, 1995.
______. Oracy Nogueira e a antropologia no Brasil: o estudo do estigma e do preconceito racial. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 31, p. 5-28, 1996.
______. Oracy Nogueira (1917-1996): uma biografia intelectual. Boletim da Associação Brasileira de Antropologia, v. 27, p. 26-29, 1997.

Nota do arquivista

Equipe: Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti (coordenação), Marisa Colnago (consultoria arquivística), Aline Correia Martins (apoio técnico), Suzana Mattos e Valéria Aquino (assistentes de pesquisa), Bárbara Souza Fontes, Luciana Araújo, Marina Mafra e Danilo Mariano Pereira (bolsistas de iniciação científica).
Revisão do inventário: Glauce Ramos Farias

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