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Marcos da Cunha Lopes Virmond
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Seminário - Registros da História: de lepra à hanseníase

Trata-se da gravação de um seminário realizado em 10 de setembro de 2010, organizado por Laurinda Rosa Maciel (COC) e Maria Leide Wand-Del-Rey de Oliveira (UFRJ). O objetivo foi promover um debate acerca de fatos recentes da política de combate à hanseníase no Brasil, sobretudo após maio de 1976, com a Portaria 165, do Ministério da Saúde, oficializando a hospitalização dos doentes em detrimento do isolamento em leprosários e seus desdobramentos, sobretudo após a poliquimioterapia. A mudança desta política vem acompanhada de fatores decisórios que guardam elo com a tecnologia, as ações governamentais, seu contexto de criação e a história como um todo e que remetem aos primórdios do programa de controle da doença no Brasil. Foram lançados os seguintes produtos: 'Memória e história da hanseníase no Brasil através de seus depoentes (1960-2000) - Catálogo de depoimentos', Inventário do Arquivo Pessoal de Souza-Araújo em CD; Inventário do Laboratório de Hanseníase (IOC/Fiocruz) em CD e a Coleção ‘História da Lepra no Brasil’ e Caderno de Laboratório, de Souza-Araújo (DVD Rom).

Memória e história da hanseníase no Brasil através de seus depoentes (1960-2000)

Reúne 46 entrevistas do projeto que teve como objetivo registrar as memórias e vivências de profissionais de saúde e de ex-pacientes de hanseníase. As entrevistas foram realizadas com personagens que trabalharam com a hanseníase de diversas formas como, por exemplo, na elaboração de políticas de controle à doença, na administração hospitalar, pesquisa básica, atendimento às populações atingidas e etc., ou dos que padeceram com o diagnóstico positivo para a lepra/hanseníase e sua experiência com o adoecimento e o isolamento imposto como prática médica até as décadas de 1960 e 1970. Com estas entrevistas é possível recuperar aspectos como: as estratégias de sobrevivência numa época de grande estigmatização da doença; as dificuldades com a pesquisa básica pelas particularidades morfológicas do bacilo de Hansen; os diferentes tipos de medicamentos utilizados para controle da doença; a formação acadêmica; o surgimento de associações como a SORRI e o MORHAN; os embates entre a cosmética e a dermatologia sanitária, dentre vários outros aspectos relevantes.

Marcos da Cunha Lopes Virmond

Entrevista realizada por Laurinda Rosa Maciel e Maria Leide W. de Oliveira, em Bauru (SP), no dia 06 de maio de 2002.
Sumário de assuntos
Fita 1 – Lado A
Lembranças da infância e do pai militar; os diversos estados onde residiu, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco; formação escolar; comentários sobre a Revolução de 1964 e o ex-presidente João Goulart; a ida para Porto Alegre e o ensino médio no Colégio Estadual Júlio de Castilhos; o vestibular para a UFRGS; recordações do avô médico e sua biblioteca; a formação como
músico e sua participação na Ordem dos Músicos do Brasil; a escolha pela Medicina e a graduação na UFRGS, em 1974; a profissão dos irmãos; a residência em cirurgia geral e comentários sobre Jair Ferreira; a ida para o Hospital Colônia Itapuã em 1976, por intermédio de César Bernardes e o início do trabalho com cirurgia de reabilitação em hanseníase; a participação no Curso de Cirurgia de Hanseníase no Brasil em 1979, com Frank Duerksen; a respeito do professor Arvelo e seus ensinamentos sobre prevenção de incapacidade; a ida para Bauru em 1980 e a total identificação com a área cirúrgica; o aprendizado com o cirurgião Frank Duerksen no período em que trabalharam juntos; a ida para a Índia, com financiamento da American Leprosy Missions (ALM); sobre Maria Leide W. de Oliveira e os avanços nas questões referentes à doença, como reabilitação, prevenção de incapacidade e implementação de poliquimioterapia, quando esta ocupou o cargo de gerente estadual de dermatologia sanitária do Rio de Janeiro, entre 1983 e 1985.

Fita 1 – Lado B
Comentários sobre cursos e realização de cirurgias no ILSL; o início da atuação na área de cirurgia, em 1990, e a entrada para o ILSL em 1994; os problemas existentes para formar e manter bons cirurgiões de reabilitação em hanseníase no país; a passagem pelo Hospital Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, convidado por Maria Leide W. de Oliveira; sobre novas técnicas de cirurgia reparadora
de mãos; relatos sobre os diversos serviços de reabilitação espalhados pelo país, como em Rondônia, no Amazonas e no Maranhão; sobre a necessidade de as Secretarias Estaduais de Saúde apoiarem as cirurgias de reabilitação; opinião sobre a doença em países como Venezuela, México e Argentina, e as razões de o Brasil registrar alto índice endêmico; a decepção com os recentes diagnósticos no país e a ineficácia da cirurgia em tais casos; comentários sobre o livro que escreveu a respeito da importância da reabilitação em hanseníase, a relevância das cirurgias e a necessidade de realização de mais cursos nessa área; comentários sobre a necessidade de o serviço básico de saúde estabelecer um diálogo com a hanseníase e o incentivo à integração de médicos das mais diferentes áreas na luta contra a doença; observações sobre o XVI Congresso Internacional de Lepra, em 2002, e a presidência do comitê organizador ocupado pelo depoente; a vice-presidência na ILA e a importância de o Brasil sediar esse congresso.

Fita 2 – Lado A
Sobre o trabalho junto à ILA e na OMS; comentários sobre os congressos de que participou; o interesse musical do depoente, sua família, a ópera que elaborou A Glorinha e o hino comemorativo do aniversário da Revolução Farroupilha, composto por ele; o doutorado e o cargo de professor de Regência na Universidade do Sagrado Coração; relatos sobre as cirurgias de deformidades congênitas.

Fita 2 – Lado B
Comentários sobre a família e os filhos gêmeos; a importância das cirurgias de reabilitação em hanseníase no país; sobre os hansenologistas Diltor Opromolla, Aguinaldo Gonçalves, Gerson Fernando e Gerson Penna.