Mostrando 2 resultados

descrição arquivística
Diltor Vladimir Araújo Opromolla Política de saúde
Visualização de impressão Ver:

Depoimentos orais do projeto Memória e história da hanseníase no Brasil através de seus depoentes (1960-2000)

O projeto teve como objetivo registrar as memórias e vivências de profissionais de saúde e de ex-pacientes de hanseníase. Foram coletados 46 depoimentos de personagens que trabalharam com a hanseníase de diversas formas como, por exemplo, elaborando políticas de controle à doença, administração hospitalar, pesquisa básica, atendimento às populações atingidas etc., ou dos que padeceram com o diagnóstico positivo para a lepra/hanseníase e sua experiência com o adoecimento e o isolamento imposto como prática médica até as décadas de 1960 e 1970. Com estas entrevistas é possível recuperar aspectos como as estratégias de sobrevivência numa época de grande estigmatização da doença; as dificuldades com a pesquisa básica pelas particularidades morfológicas do bacilo de Hansen; os diferentes tipos de medicamentos utilizados para controle da doença; a formação acadêmica; o surgimento de associações como a SORRI e o MORHAN; os embates entre a cosmética e a dermatologia sanitária, dentre vários outros aspectos relevantes.

Diltor Vladimir Araújo Opromolla

Sumário
Fita 1 - Lado A
Sobre o local de seu nascimento, origem familiar e a separação dos pais; formação escolar e o emprego de office-boy no Tribunal Regional do Trabalho aos 15 anos de idade; sobre o curso Ditúlio?, o vestibular para a Universidade de São Paulo (USP) e o ingresso na Faculdade de Medicina de Sorocaba/PUC-SP em 1952; os professores da faculdade tais como Carlos Lacaz, Humberto Cerruti e Lauro de Souza Lima; o estágio no Hospital de Pirapitingui e lembranças das lições aprendidas na faculdade; sobre o médico José Mário Pernambuco e as reformas implementadas por ele no Sanatório Aimorés; a viagem de férias para Salvador e a sua graduação em 1957; o retorno para São Paulo, o estágio no Hospital das Clínicas e no Hospital do Câncer e a ida para Bauru em 1958 para trabalhar no Sanatório Aimorés; a respeito do isolamento compulsório, principalmente em São Paulo, e relatos sobre a Campanha Nacional contra a Lepra e a direção de Orestes Diniz no Serviço Nacional da Lepra, no final dos anos 1950; seu casamento em 1960; comentários sobre a estrutura do Sanatório Aimorés.

Fita 1 - Lado B
Sobre os doentes que exerciam suas profissões na colônia como médicos e dentista; a administração de Mário Pernambuco e iniciativas para acabar com o estigma dentro das colônias; comentários sobre os médicos que trabalharam no Sanatório Aimorés; o aparecimento da Sulfona no Brasil, em 1946, e a participação do depoente nas Comissões de Alta na década de 1960; a mudança de nome da Instituição de Sanatório Aimorés para Hospital Lauro de Souza Lima em 1973 e mais tarde, em 1989, para Instituto Lauro de Souza Lima; o convívio com Lauro de Souza Lima e as drogas experimentadas no combate à hanseníase, tais como Vadrini e Tiouréia; a apresentação de seu trabalho sobre Rifampicina no 8° International Congress of Leprosy, em 1963, no Rio de Janeiro, Brasil; a implementação do tratamento com DADDS (Diacetil-Diamina-Difenil-Sulfona) no Brasil e os primeiros casos de resistência aos medicamentos na década de 1970.

Fita 2 - Lado A
A poliquimioterapia nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul e as dosagens dos medicamentos; a satisfação do depoente com a mudança do nome da doença para hanseníase; os projetos de pesquisa desenvolvidos no Instituto como a inoculação do bacilo de Hansen; relatos da passagem do Instituto Lauro de Souza Lima no primeiro centro de referência na luta contra a hanseníase no país e a sua vasta biblioteca; lembranças de Abrahão Rotberg, Eduardo Rabelo e Rubem David Azulay na Jornada Dermatológica, evento realizado no início da década de 1970, em São Paulo; as reuniões do Serviço Nacional de Lepra com as entidades internacionais que interferiam em questões referentes à doença no Brasil; a divisão do Instituto na área social e na área do Hospital; a criação do Centro de Reabilitação no Instituto Lauro de Souza Lima, na década de 1960.

Fita 2 - Lado B
Continuação dos comentários sobre a organização e a formação do Centro de Reabilitação do Instituto Lauro de Souza Lima; relatos sobre as mortes de Reinaldo Quagliato e Lauro de Souza Lima; críticas à atuação de Luiz Marino Bechelli por não ter tido nenhuma iniciativa para combater a doença nas décadas de 1960 e 1970, quando ocupava o posto de perito da Organização Mundial de Saúde (OMS) em lepra; sobre o 10° International Leprosy Congress, em Bergen, Noruega, em 1973 e o debate de Abrahão Rotberg com Luiz Marino Bechelli por este não ter apoiado o projeto de Rotberg em mudar a designação da doença; a participação do depoente na reunião para elaboração da Portaria Ministerial nº 165 de 1976, junto com Abraão Rotberg, Carlos Lezer e Paulo Almeida Machado; os cursos oferecidos pelo Instituto Lauro de Souza Lima tais como o de Residência Médica de Dermatologia, os cursos de aprimoramento, o curso de Dermatopatologia, os cursos de prevenção de incapacidade e de reabilitação; comentários sobre os profissionais do Centro de Reabilitação; sobre os filhos, netos e informações sobre a vida pessoal; considerações sobre a nomeação do Instituto com o nome de Lauro de Souza Lima.

Fita 3 – Lado A
Sobre as reações físicas provocadas pela hanseníase e o início da utilização de medicamentos eficazes como a Talidomida e o Doriden?; a pesquisa realizada pelo depoente na qual empregava Talidomida para o tratamento da doença e a publicação desse trabalho no periódico “O Hospital”; o vasto acervo da biblioteca do Instituto Lauro de Souza Lima, herança do antigo Departamento Profilaxia de Lepra de São Paulo; sobre o consultório clínico que mantém até a sua morte em parceria com dois amigos dermatologistas; as dificuldades enfrentadas pelo Instituto Lauro de Souza Lima na década de 1980 e a importância deste no Brasil, sobretudo no que se refere a prevenção de incapacidades e cirurgias de reabilitação; comentários sobre o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN), da Sociedade para a Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (SORRI), de Francisco Augusto Vieira Nunes (Bacurau) e a importância de Thomas Ferran Frist; sobre o médico Frank Duerksen , a reinserção dos ex-pacientes na sociedade e a importância das cirurgias de reabilitação para isso.

Fita 3 – Lado B
Continuação dos comentários sobre o médico Franke os cursos de reabilitação ministrados por ele no Brasil e seu método de trabalho, como a realização de 30 cirurgias em uma semana no país, em 1974; a respeito das cirurgias reabilitadoras que passaram a ser feitas em diferentes regiões do Brasil.