Fundo CC - Carlos Chagas

Área de identificação

Código de referência

BR RJCOC CC

Título

Carlos Chagas

Data(s)

  • 1842-1959 (Produção)

nível de descrição

Fundo

Dimensão e suporte

Documentos textuais: 3,22 m
Documentos iconográficos: 253 itens (247 fotografias, 2 cartões-postais, 3 caricaturas e 1 ilustração)

Área de contextualização

Nome do produtor

(1878-1934)

Biografia

Nasceu em 9 de julho de 1878, numa fazenda próxima à cidade de Oliveira (MG), filho de José Justiniano Chagas e Mariana Candida Ribeiro de Castro Chagas. Formou-se em 1903 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Sua tese de doutoramento para conclusão do curso médico, abordando os aspectos hematológicos da malária, foi desenvolvida no Instituto Soroterápico Federal, criado em 1900 e denominado, a partir de 1908, Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Em 1904 abriu consultório no centro do Rio de Janeiro e, como médico da Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP), trabalhou no hospital de Jurujuba, Niterói. Em 1905 foi encarregado, por Oswaldo Cruz, de combater uma epidemia de malária em Itatinga (SP) que prejudicava as obras da Companhia Docas de Santos. Dois anos depois, coordenou a profilaxia da malária em Xerém (RJ), onde a Inspetoria Geral de Obras Públicas realizava a captação de águas para a capital federal. Constatando que a transmissão da doença ocorria fundamentalmente no interior dos domicílios, defendeu que os mosquitos deveriam ser combatidos mediante aplicação de substâncias inseticidas, nesses ambientes. A teoria da infecção domiciliária da malária e o método profilático a ela associado seriam reconhecidos como importantes contribuições à malariologia. Em 1907 atuou no combate a epidemia de malária que afetava as obras da Estrada de Ferro Central do Brasil entre Corinto e Pirapora (MG). No povoado de São Gonçalo das Tabocas – que, a partir de 1908, com a inauguração da ferrovia, ganhou o nome de Lassance – improvisou um laboratório num vagão de trem. Por intermédio do chefe dos engenheiros, Cornélio Cantarino Motta, tomou conhecimento da existência de um inseto hematófago que proliferava nas frestas das paredes das casas de pau a pique, conhecido como barbeiro. Examinando-lhes o intestino, identificou uma nova espécie de tripanossoma, que denominou de Trypanosoma cruzi, em homenagem a Oswaldo Cruz. No ano de 1909, em Lassance, identificou o novo parasito no sangue de uma criança de dois anos, chamada Berenice, que seria considerada o primeiro caso de tripanossomíase americana ou doença de Chagas. A descoberta e os estudos sobre a nova doença trouxeram grande prestígio ao cientista, que se tornaria membro de importantes associações médicas e científicas no Brasil e no exterior, e ao IOC, a cuja equipe ele se integrara como pesquisador em 1908. Em 1910 a Academia Nacional de Medicina abriu vaga extraordinária para recebê-lo como membro titular. Em 1912 foi agraciado com o prêmio Schaudinn de protozoologia, concedido pelo Instituto de Doenças Marítimas e Tropicais de Hamburgo. Por duas vezes foi indicado ao prêmio Nobel, em 1913 e 1921. Com a colaboração de outros cientistas do IOC, investigou os vários aspectos da nova doença, como as características biológicas do vetor e do parasito, o quadro clínico e a patogenia da infecção, a transmissão e o diagnóstico. Entre 1912 e 1913 chefiou uma expedição ao vale do rio Amazonas para estudar as condições sanitárias da região. Foi uma das lideranças do movimento sanitarista que, entre 1916 e 1920, reuniu médicos, cientistas e intelectuais em torno da ideia de que o atraso do país era fruto das endemias que assolavam seu interior, e que o combate a tais enfermidades deveria ser prioridade do Estado. Em 1917, por ocasião da morte de Oswaldo Cruz, assumiu a direção do IOC, cargo que ocuparia até o final de sua vida. Em 1918 coordenou o combate à epidemia de gripe espanhola na capital federal. Em 1919 foi nomeado para a DGSP, transformada, em 1920, no Departamento Nacional de Saúde Pública, que dirigiu até 1926. No cenário internacional, destacou-se como membro do Comitê de Higiene da Liga das Nações, a partir de 1922, e idealizador e primeiro diretor do Centro Internacional de Leprologia, instalado em 1934. Foi professor do Curso de Aplicação do IOC e, em 1925, tornou-se o primeiro titular da cadeira de medicina tropical da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro. Morreu em 8 de novembro de 1934, no Rio de Janeiro.

História arquivística

Em meados da década de 1990, Carlos Chagas Filho doou à Casa de Oswaldo Cruz documentos de Carlos Chagas, Evandro Chagas e dele próprio, os quais foram inicialmente organizados como fundo Família Chagas. Com a morte de Carlos Chagas Filho, em 2000, sua viúva, Anna Leopoldina de Mello Franco Chagas, doou os documentos do marido que se encontravam sob sua guarda. Ao serem transferidos para a instituição, passaram por um processo de identificação preliminar pelo qual foi possível detectar outros documentos que pertenciam originalmente a Carlos e a Evandro Chagas. Diante disso, optou-se pela reorganização dos documentos desses titulares, pois tratava-se de conjuntos distintos, que necessitavam de organização própria como fundos pessoais e não mais como fundo familiar.

Procedência

Doação de Carlos Chagas Filho e Anna Leopoldina de Mello Franco Chagas.

Área de conteúdo e estrutura

Âmbito e conteúdo

Reúne cartas, telegramas, ofícios, relatórios de atividades, atas, nomeações, currículos, textos e artigos científicos, discursos, conferências, diplomas, designações, declarações, apostilas, fotografias, caricaturas, periódicos, recortes de jornais e folhetos, entre outros documentos referentes à vida pessoal e à trajetória profissional do titular como pesquisador assistente, chefe de serviço e diretor do Instituto Oswaldo Cruz, diretor da Diretoria Geral de Saúde Pública, diretor do Departamento Nacional de Saúde Pública, professor catedrático da Universidade do Rio de Janeiro, diretor do Centro Internacional de Leprologia, membro do Comitê de Higiene da Liga das Nações e de diversas sociedades e associações científicas, bem como representante do Brasil em eventos no exterior.

Avaliação, selecção e eliminação

Ingressos adicionais

Sistema de arranjo

Grupo Vida Pessoal
Grupo Formação Acadêmica
Grupo Administração da Carreira
Grupo Docência
Grupo Pesquisa
Grupo Gestão de Ciência e Saúde Pública
Grupo Relações Interinstitucionais e Intergrupos

Área de condições de acesso e uso

Condições de acesso

Sem restrição

Condiçoes de reprodução

Sem restrição

Idioma do material

  • alemão
  • espanhol
  • francês
  • holandês
  • inglês
  • italiano
  • latim
  • português

Forma de escrita do material

Notas ao idioma e script

Características físicas e requisitos técnicos

Instrumentos de pesquisa

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Casa de Oswaldo Cruz. Departamento de Arquivo e Documentação. Fundo Carlos Chagas: inventário. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2009.

Área de fontes relacionadas

Existência e localização de originais

Existência e localização de cópias

Unidades de descrição relacionadas

Fundo Casa de Oswaldo Cruz, seção Departamento de Arquivo e Documentação, subseção Serviço de Arquivo Histórico, série Projetos de Pesquisa, Chagas do Brasil, documentário
______. Chagas na Amazônia, documentário
______. Revisitando a Amazônia de Carlos Chagas: da borracha à biodiversidade, rios Negro e Branco, documentário
______. Revisitando a Amazônia de Carlos Chagas: da borracha à biodiversidade, rios Acre e Purus, documentário
Fundo Instituto Oswaldo Cruz
Fundo Centro de Pesquisas René Rachou
Fundo Oswaldo Cruz
Fundo Evandro Chagas
Fundo Carlos Chagas Filho
Fundo Clementino Fraga
Fundo Cantarino Motta
Coleção Bibliográfica Carlos Chagas
Coleção de Objetos de Carlos Chagas
Fundo Adolpho Lutz. Museu Nacional. Seção de Memória e Arquivo

Descrições relacionadas

Área de notas

Notação anterior

Pontos de acesso

Ponto de acesso - assunto

Ponto de acesso - local

Ponto de acesso - nome

Pontos de acesso de género

Área de controle da descrição

Identificador da instituição

Regras ou convenções utilizadas

Status da descrição

Final

Nível de detalhamento

Integral

Datas de criação, revisão, eliminação

Janeiro de 2011

Idioma(s)

Fontes utilizadas na descrição

Zona da incorporação

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Entidades coletivas, pessoas ou famílias relacionadas

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