Item 01 - Antônio Jorge Abunahman

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Código de referência

BR RJCOC 05-05-02-03-01

Título

Antônio Jorge Abunahman

Data(s)

  • 1995 (Produção)

nível de descrição

Item

Dimensão e suporte

Documentos sonoros: 7 fitas cassete e 7 CD's (6h; cópia digital)

Área de contextualização

Nome do produtor

História arquivística

Entrevista realizada por André de Faria Pereira Neto, Érika Gemino Mendes e Sérgio Luiz Alves da Rocha, em Niterói (RJ), nos dias 31 de maio, 06, 13 e 21 de junho de 1995.

Procedência

Área de conteúdo e estrutura

Âmbito e conteúdo

Sumário
Fita 1 - Lado A
A chegada dos pais, imigrantes libaneses, ao Rio de Janeiro em 1907; a instalação da família em Neves (São Gonçalo); a mudança para Cachoeiras de Macacu; sua infância e vida escolar em Cachoeiras de Macacu; o período no colégio interno, em Petrópolis, e no ginásio, em Niterói; o vestibular para medicina; a vida de estudante de medicina; a influência de Almir Madeira na opção pela medicina; a atividade de comerciante do pai; o reencontro com Almir Madeira como aluno da faculdade; seu irmão, Emílio Abunahmam; a morte de dois de seus irmãos; as condições de saúde de Cachoeiras no período da infância; a família; o regime disciplinar do colégio em Petrópolis; a fundação da Academia Literária e do jornal O Acadêmico; sua experiência de vida fora de casa; o relacionamento com o pai; o desejo de participar da Revolução de 1930; a simpatia inicial por Getúlio Vargas e a posterior decepção; a política em Cachoeiras de Macacu em 1930; o início da faculdade de medicina em 1932; o entusiasmo pela medicina; as transformações ocorridas na medicina durante seu período na faculdade; a visão da época sobre a tuberculose; o tratamento de ricos e pobres; as terapias utilizadas na época; a aplicação do pneumotórax nas mulheres.

Fita 1 - Lado B
O prestígio da carreira de médico; a influência exercida por Almir Madeira; as faculdades de medicina do Rio de Janeiro e de Niterói; sua opção pela faculdade em Niterói; como era realizado um exame de coração; a importância do exame clínico na "medicina sacrificada" de seu tempo; os raios X, um dos poucos recursos tecnológicos da época; o paralelo entre o diagnóstico feito hoje e o do tempo em que atuava como médico; o relacionamento do médico com seus pacientes; o número de formandos em medicina e sua péssima formação; o excesso de faculdades de medicina no Brasil; a origem social de seus colegas de faculdade; como sobrevivia durante o período da faculdade; as experiências na faculdade; sua opção pela tisiologia, influenciado pelo professor Mazine Bueno; o debate entre comunistas e integralistas na Faculdade; a recusa em participar da política partidária; sua opinião sobre o período do Estado Novo.

Fita 2 - Lado A
Mazine Bueno e sua influência sobre a opção de Abunahmam pela tisiologia; o trabalho como interno no Hospital de Isolamento do Barreto; os métodos para tratar os casos mais graves; o aparecimento dos quimioterápicos; a preocupação com o contágio pela tuberculose; as precauções tomadas; as outras doenças dos pulmões; a mortalidade dentro do hospital; sua participação, como estudante, no primeiro curso de especialização em tuberculose do país (1937); sua dedicação aos pacientes tuberculosos (incuráveis); o surgimento do remédio contra a tuberculose em 1947; as consequências do abandono do tratamento antes da cura da doença; a satisfação por ter a certeza de ter cumprido o dever de médico; a monitoria na cadeira de tisiologia; como conseguiu um lugar no hospital público Ary Parreiras; o Hospital Ary Parreiras: o regime de trabalho, a localização, a clientela, as especialidades e o espaço físico; como encarava o risco de vida no trato cotidiano com a tuberculose; o sanatório montado em sociedade com outros dois colegas em Nova Friburgo; o período como interno do Hospital Escola São João Batista.

Fita 2 - Lado B
A organização do horário entre as aulas na faculdade, o internato no Hospital Escola e no Ary Parreiras; os colegas de faculdade e a vida de estudante; a atuação como diretor do Hospital Ary Parreiras e as dificuldades que teve que enfrentar; o período em que dirigiu o dispensário de tuberculose no Centro de Saúde São Lourenço; o cadastro dos doentes e a carteira de saúde; como dividia o tempo entre o dispensário, a atividade docente e o consultório; a sublocação de seu primeiro consultório; as primeiras aquisições para o consultório; a sua organização física; o medo dos pacientes em permanecer próximos uns dos outros; as 140 mil fichas deixadas quando se aposentou; algumas considerações sobre Jorge Eduardo Manhães de Carvalho, seu substituto na clínica; como adquiriu o consultório e o aparelho de raios X; a clientela de classe média e a diferença dos pacientes do dispensário; a relação entre a clientela do hospital e a do consultório; a cobrança de honorários.

Fita 3 - Lado A
A clientela do interior e os tipos de pagamento; o relato de um caso curioso; a difícil vida de médico; seu constrangimento em receber os honorários diretamente das mãos dos clientes; o serviço público coma fonte de aprendizagem e experiência profissional; a importância da consideração pelos pacientes; os atendimentos gratuitos que realizava; as transformações tecnológicas na ciência médica; um histórico dos. tratamentos contra a tuberculose; a reação dos médicos à vacina BCG; a aplicação do pneumotórax e seu efeito no tratamento da tuberculose; Mazine Bueno: um dos maiores especialistas em tuberculose do Brasil; referências às suas amizades com Aloysio de Paula, José Rosemberg, Germano Gerardt Filho e Nilton Bethlem; sua amizade com Manoel de Abreu; a cultura humanista dos médicos de sua época; a situação do tratamento da tuberculose no Brasil e no exterior; a ação do governo com relação ao combate à tuberculose.

Fita 3 - Lado B
A ação do governo com relação ao combate à tuberculose nas décadas de 1930/1940; a utilidade dos sanatórios no combate à tuberculose; a introdução dos quimioterápicos no tratamento da tuberculose; os avanços do tratamento e as modificações na relação entre o médico e seu paciente; o que eram as hemoptises.

Fita 4 - Lado A
As especialidades na década de 1940 e a comparação com a situação atual; algumas considerações sobre o número de formandos das faculdades de medicina em 1937; a limitação do número de vagas pelo governo em 1932; a importância atual do Sindicato dos Médicos; o Primeiro Conselho Federal de Medicina (1944/45); sua atuação como presidente do Conselho Regional de Medicina de Estado do Rio de Janeiro (1956); o Código de 1945 e a proibição à "concorrência desleal" e aos anúncios de curas milagrosas; a importância das conferências médicas; as associações médicas e sua importância para o aprendizado do médico; o papel do médico perito; o relacionamento entre médicos e farmacêuticos; a fiscalização do charlatanismo ontem e hoje; as práticas utilizadas pelos curandeiros e o relacionamento entre médicos alopatas e homeopatas; o segredo médico.

Fita 4 - Lado B
A indústria dos agradecimentos; seu posicionamento diante do assalariamento; o salário dos médicos nas décadas de 1940 e hoje; as consultas gratuitas; a atuação do Conselho depois de 1956, as normas para os anúncios médicos estabelecidas pelo Conselho; a entrada de jovens médicos no mercado de trabalho e a introdução de novos métodos; as modificações na medicina a partir de 1950; sua atuação à frente do Conselho filiando os médicos; o período em que foi presidente da Associação Médica Fluminense (AMF); o receio dos médicos se filiarem ao Conselho; a criação da Associação de Medicina e Cirurgia de Niterói (1920); como se tornou presidente da AMF em 1956; seu desinteresse pela política partidária; o status do cargo de presidente da AME.

Fita 5 - Lado A
O movimento da "Letra O" em Niterói, sua atuação à frente do Conselho; o processo de escolha dos primeiros presidentes dos conselhos regionais; as obrigações dos médicos para com o Conselho; a imagem do Conselho como um órgão apenas punitivo; as estratégias de convencimento utilizadas por ele para filiar os médicos ao Conselho; o desconhecimento do Código de Ética de 1957; João Gomes da Silva: seu sucessor no Conselho.

Fita 5 - Lado B
A sua participação em congressos internacionais; as relações entre os médicos clínicos e os sanitaristas; como conciliava as atividades do consultório, da docência e do Hospital São Lourenço; a importância do trabalho desenvolvido lá; o prestígio do professor universitário; o receio dos médicos de optarem pela tisiologia; a relação entre a cátedra e o consultório particular; o risco de o médico contrair a tuberculose e os cuidados que ele tomava para evitar a doença; a aplicação de pneumotórax; o relacionamento entre médico e enfermeira.

Fita 6 - Lado A
O comportamento dos doentes de diferentes classes sociais diante das determinações médicas; o pavor das famílias e dos pacientes diante da hemoptise; como tratava hemorragia, como identificava o pulmão afetado sem dispor de qualquer tipo de equipamento; o relacionamento do médico com o doente e sua família; a gratidão dos doentes; o exame dos pacientes hoje, a evolução da medicina nos últimos 50 anos; sua crítica à utilização, sem critérios, da tecnologia médica; a dedicação ao estudo e a formação humanista dos médicos de seu tempo; as razões de ter participado da vida associativa; o status conferido às lideranças médicas; as razões de seu sucesso como médico tisiologista em Niterói; a participação dos médicos comunistas na Associação Médica Fluminense; sua indicação para a presidência do Conselho Regional; sua atuação à frente do Conselho; a indicação de seu sucessor; a disputa pela presidência da Associação Médica.

Fita 6 - Lado B
O medo dos médicos de que o Conselho fosse apenas um órgão punitivo; o aumento de sua popularidade depois de ter sido presidente do Conselho; sua falta de conhecimento do texto do Código de 1957; o relacionamento entre os médicos em Niterói; os anúncios de curas milagrosas para doenças incuráveis; as razões de seu sucesso profissional; sua emoção como médico diante da vida e da morte; os remédios que curam a tuberculose; a ação dos curandeiros hoje; a ação do Conselho com relação aos curandeiros durante a sua gestão; as razões para a diminuição do mercado de trabalho para o tisiólogo; um paralelo entre a formação dos médicos em seu tempo de estudante e de hoje; o relacionamento médico/ paciente hoje; sua opinião sobre o paciente ideal ontem e hoje; o segredo profissional; a liberdade do paciente em escolher o médico; a autonomia do médico.

Fita 7 - Lado A
O pudor em receber os seus honorários das mãos dos pacientes; o estímulo dado a sua carreira pelo Dr. Mazine Bueno; Dr. Jorge Eduardo Manhães de Carvalho: o continuador de sua clínica e de seu consultório.

Avaliação, selecção e eliminação

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Nota

Resenha biográfica
Filho de imigrantes libaneses, Antônio Jorge Abunahman nasceu no município de São Gonçalo (RJ), no dia 20 de agosto de 1913. Seu pai era comerciante e, com esta atividade, sustentava uma numerosa família formada pela esposa e mais 13 filhos. Quando tinha apenas dois anos de idade, sua família transferiu-se para Cachoeiras de Macacu, no interior do Estado do Rio de Janeiro. Aí transcorreu toda a sua infância, marcada pela liberdade e pelo contato com a natureza. Iniciou os estudos em uma escola pública de Cachoeiras de Macacu. O curso secundário foi feito em tradicionais instituições de ensino privado de Petrópolis e Niterói. Seu pai, um homem semi-analfabeto, fazia questão de garantir bons estudos aos filhos. Sua opção pela medicina foi influenciada pela única referência médica com que contou na infância: Almir Madeira, que era professor de pediatria em Niterói, membro da Academia Nacional de Medicina e médico dos funcionários da companhia ferroviária e das famílias de Cachoeiras de Macacu, no início do século. Durante o período em que frequentou a Faculdade Fluminense de Medicina (1931/1937), Antônio Abunahmam foi monitor de tisiologia do professor Mazine Bueno, clinicou no Hospital Escola São João Batista e no Hospital de Isolamento do Barreto. Neste, a maioria dos pacientes era formada por doentes terminais de tuberculose. Abunahmam separava os doentes menos crônicos e ministrava-lhes o pneumotórax. Com isso, transformava a espera da morte em esperança de vida. A hemoptise - momento em que o doente tuberculoso vomita sangue, podendo morrer asfixiado ou de hemorragia - passou a ser uma cena habitual em sua vida profissional. No Brasil dos anos 1930, a tuberculose tinha se tornado uma doença que não escolhia classe social: atingia toda a população. O perigo de contágio era iminente; o tuberculoso, socialmente estigmatizado. Quando Antônio Abunahmam optou pela tisiologia, a tuberculose ainda não tinha cura. A aplicação de sais de ouro, o pneumotórax e o repouso eram alguns dos procedimentos mais adotados. Nem o risco de contágio nem a letalidade da doença fizeram com que Antônio Abunahman, decisivamente influenciado por seu trabalho com Mazine Bueno, desistisse de se tornar tisiologista. Logo depois de sua formatura, em 1938, Antônio Abunahmam foi nomeado diretor do Hospital Ary Parreira. Permaneceu no cargo por oito meses, deixando-o para chefiar o Dispensário de Tuberculose no Centro de Saúde São Lourenço, onde atuou durante 20 anos. Lá, tratava de doentes iniciais, que eram mais facilmente curados. Seu primeiro consultório, ainda em 1938, era sublocado de outro médico. Em 1944, comprou seis salas do último andar de um edifício de escritórios em construção, no centro de Niterói. Este consultório transformou-se em uma pequena clínica privada para o atendimento de tuberculosos. Havia uma sala de espera e dois banheiros; em outra sala, instalou o aparelho de raios X; a do lado servia para revelar as chapas; noutra, realizava o pneumotórax; a seguinte servia para repouso do paciente e a sexta era seu gabinete. A afluência de doentes era enorme. Seu fichário chegou a conter 140 mil nomes de pacientes de Niterói, do Rio de Janeiro e até do interior do Estado. Foi professor de tisiologia e radiologia pulmonar na Faculdade Fluminense de Medicina de 1937 a 1967. Muitos de seus alunos, depois de formados, encaminhavam pacientes para seu consultório. Com tantas atividades, dividia seu tempo da seguinte forma: pela manhã trabalhava no Dispensário de Tuberculose e, um dia por semana, dava aula na Faculdade; à tarde, dedicava-se somente ao consultório, sem ter hora certa para acabar. Além disso, atendia no meio da noite ou nos finais de semana a chamados de pacientes em situação mais grave. Apesar de uma vida profissional muito intensa, dedicou-se também à causa associativa. Em 1956, assumiu a presidência da Associação Médica Fluminense (AMF). Essa entidade, de caráter científico, funcionava como um centro de estudos médicos, onde eram apresentadas comunicações. Com a promulgação do Decreto-Lei n° 3.268/1957, o Conselho Federal de Medicina, sediado na cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, convocou as diretorias das associações médicas estaduais a organizarem regionalmente o Conselho de Medicina. Antônio Abunahmam, como presidente da Associação Médica Fluminense, foi então nomeado presidente da Diretoria Provisória do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, em 1957. Sua função era instalar efetivamente o Conselho, inscrevendo os médicos do Estado. Visitando os médicos nos municípios de Friburgo, Petrópolis, Cordeiro, Campos, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, percebeu que muitos profissionais tinham receio do controle que o Conselho poderia exercer sobre sua vida profissional. Diante desta evidência, ele implementou uma estratégia ao mesmo tempo persuasiva e coercitiva. Por um lado, mostrava que o Conselho estava sendo organizado para ajudar o médico e defendê-lo do mau profissional. Por outro lado, mostrava que, se o médico não se inscrevesse no Conselho, não poderia emitir atestado de óbito nem de saúde. Dessa forma, conseguiu filiar mais de dois mil médicos em todo o Estado do Rio de Janeiro. Todo este trabalho de construção da entidade foi feito sem que o presidente do Conselho conhecesse o Código de Ética que acabara de ser promulgado e que regia a vida profissional do médico no Brasil. Após esse momento de participação no associativismo médico, voltou à atividade clínica e acadêmica no meio dos tisiólogos. Além das reuniões nacionais sobre tuberculose, esteve presente nos encontros internacionais realizados em Nova Delhi (1957) Toronto (1961), Roma (1963), Nova York (1969), Tóquio (1973), México (1975) e Bruxelas (1978). Graças ao trabalho desenvolvido, chegou a ser presidente da Sociedade Fluminense de Tisiologia e Pneumologia em 1965, continuando a conjugar a atividade clínica no consultório particular e no Dispensário de Tuberculose do Centro de Saúde São Lourenço com a de docente na Faculdade de Medicina, em Niterói.

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